QUEM TEM MEDO DE UMA SUPER HEROÍNA? | Comunilog Consulting

QUEM TEM MEDO DE UMA SUPER HEROÍNA?

Do reino “Animalia”, Filo “Arthropoda”, Classe “Insecta”, Ordem “Hymenoptera”, e da Super Familia “Apoidea”, eis as mais inesperadas super heroínas voadoras que residem num planeta em declínio onde milhares de espécies estão em vias de extinção e onde o homem é manifestamente um dos principais responsáveis. Mas elas, quais seres dotados de um poder extraordinário, podem ajudar a salvar o Planeta. Caros Leitores… as Abelhas, são as Super-Heroínas dos ecossistemas.

Mas então qual será a real importância destes pequenos seres voadores que nos atormentam de cada vez que se aproximam de nós, de cada vez que aquele zumbido nos faz disparar os níveis de ansiedade e lá vamos nós procurar um inseticida ou algo sólido para lhe acertar.

Vamos recuar até Albert Einstein que referiu: “quando as abelhas desaparecerem da face da Terra, o Homem só terá mais quatro anos de vida”. E porque é que o inventor da teoria da relatividade, veio falar de abelhas? Na sociedade que se preocupa sistematicamente com taxas (de crescimento, défice, etc) vamos a números para perceber: é que 2% das abelhas selvagens são responsáveis pela polinização de nada mais nada menos do que 80% das culturas mundiais. Portanto, não havendo abelhas, não haverá polinização, logo deixar de haver reprodução da flora, desparecerão alimentos para os animais, pondo em causa a existência da … espécie humana. E Einstein há um século atrás percebeu isso claramente. E é essa mesma espécie que destrói as abelhas com pesticidas, agricultura intensiva, culturas geneticamente modificadas e até com …os telemóveis. Segundo o Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, as ondas emitidas por telemóveis durante uma ligação podem desorientar e matar as abelhas. Além disso, as abelhas são das espécies mais sensíveis às alterações climáticas.

Mas há esperança! Recentemente em Portugal foi descoberta uma nova espécie de abelhas (única na Europa), batizada como “Protosmia Lusitânica” por Gérard Le Foff e Ana Gonçalves, Jovem Bióloga responsável pela descoberta; e é por causa deles, dos jovens mas não só, que está na altura de mudar o “mindset”, encarando com respeito e sentido de proteção todos os seres com que interagimos e dos quais a nossa existência depende. Vários Países baniram pesticidas que matam as abelhas e também já existe uma vacina para as proteger da denominada “síndrome do colapso das colónias”, doença bacteriana mortal. Além disso temos exemplos como o de uma famosa multinacional que na Suécia começou a criar apiários nas suas lojas, bem como colmeias em telhados e até a substituir a relva em redor dos restaurantes por flores e plantas. E porquê? Porque é importante para o bem-estar das abelhas mas… também para nós. Se encarar um jardim colorido, repleto de flores, já se apercebeu como se sente? Experimente!

E se quiser você própria(o) ter um jardim desde em casa, plante manjerico, orégãos, alecrim, tomilho entre outras plantas que as abelhas apreciam, além de muitas flores, porque a presença delas nesses locais indica, segundo a National Geographic, que estamos num ecossistema saudável. E ao fim de algum tempo vai deixar de ter medo, vai deixar de fugir, vai-se habituar à coexistência saudável de respeito e não agressão porque vivemos num Planeta onde há espaço para todos os seres, mas não para a continuidade dos comportamentos destrutivos que mantemos diariamente. A mudança está em cada um de nós na mudança de comportamentos para garantir a sobrevivência da espécie humana e agir de forma a que as possamos proteger, a elas e a nós.

No fim disto tudo ainda mantém aquela vontade de ir à procura do inseticida ao imaginar esse insecto polinizador preto e amarelo a voar à sua volta em busca de algo?

Se sim, quando surgir à sua frente, não se deixe dominar pelo medo e lembre-se que quando matamos uma abelha, estamos na realidade a executar uma Super Heroína, num processo que promove a extinção da nossa própria espécie. É que são necessárias 1100 picadas de abelhas para provocar a morte de um ser humano, mas basta ela picar uma única vez por se sentir ameaçada, para morrer de seguida. No fim, percebemos que quem tem medo destas Super Heroínas é quem deveria ter medo… de si próprio.

Nota: Se detetar um ninho de vespas asiáticas (são predadores de abelhas), contacte o 808 200 520 (SOS Ambiente e Território), ou as Autoridades locais.

Sérgio Viana
Psicólogo Clínico
Amante da Natureza